
Juntar tudo: a tesouraria como gestora de funding, descasamentos, hedge e caixa.
Juntar tudo: a tesouraria como gestora de funding, descasamentos (gap), hedge e caixa.
O papel da tesouraria. A tesouraria capta recursos (funding), aplica recursos, gere o caixa e os descasamentos entre ativos e passivos. Cada operação tem um custo ou um retorno, e o resultado é a margem entre o que se ganha no ativo e o que se paga no funding.
Margem (spread de tesouraria). A regra correta é trabalhar com fatores diários, nunca subtrair taxas anuais diretamente:
Subtrair "taxa do ativo − taxa do funding" só funciona se ambos estiverem na mesma base e indexador — e ainda assim ignora a capitalização. O método de fatores é sempre válido.
Gap (descasamento) de prazos e indexadores. A tesouraria raramente casa perfeitamente ativo e passivo. Gap de prazo: aplicar em 1 ano e captar em 3 meses → risco de rolagem. Gap de indexador: ativo pré e funding pós-CDI → se o CDI subir, o funding encarece e a margem some. Gap de moeda: ativo em dólar e funding em reais → risco cambial. A gestão de gap (ALM — Asset and Liability Management) mede esses descasamentos e decide quanto hedgear.
Hedge de carteira por DV01. Para neutralizar o risco de juros de uma carteira, iguala-se o DV01:
A direção: se a carteira perde com alta de juros (posição comprada em renda fixa), vende-se DI1. O hedge precisa ser rebalanceado — o DV01 muda com o tempo e com o nível das taxas.
Custo de oportunidade do caixa. Caixa parado é dinheiro que deixa de render. Caixa ocioso de valor por um período tem custo de oportunidade — o quanto renderia se aplicado ao CDI. A tesouraria equilibra liquidez (caixa para honrar obrigações) e rentabilidade (aplicar o excedente).
Fluxo de caixa e liquidez. A tesouraria projeta entradas e saídas para garantir que nunca falte caixa — e, ao mesmo tempo, que não sobre caixa ocioso demais. É a fronteira entre risco de liquidez e eficiência.
ℹ️ Exemplo de mesa
O banco capta um CDB de R$ 20 mi a 105% do CDI por 1 ano e aplica numa debênture de R$ 20 mi a CDI + 0,90% pelo mesmo prazo. Como ativo e funding são ambos pós-CDI e de mesmo prazo, não há gap de indexador nem de prazo — a margem é travada. Mas se a debênture fosse de 3 anos e o CDB de 1 ano, surgiria um gap de prazo: nos anos 2 e 3 o banco precisaria recaptar, e se o custo de funding subisse, a margem encolheria ou viraria prejuízo.