
Medir e dimensionar o risco de mercado de uma carteira: sensibilidades, VaR, stress e basis risk.
Medir e dimensionar o risco de mercado de uma carteira — com foco em derivativos: sensibilidades, VaR, stress test e o risco residual de um hedge.
O que é risco de mercado. É o risco de perda por movimentos de preços de mercado: taxa de juros, câmbio, índices, spreads. A mesa precisa medir esse risco e dimensioná-lo contra limites definidos pela área de risco.
Antes de qualquer modelo estatístico, a mesa mede o quanto a carteira se move quando um fator se move 1 unidade.
DV01 / PV01: variação do valor da carteira para 1 bp de mudança na taxa: . É a sensibilidade-chave de qualquer book de juros.
Exposição cambial: o valor em moeda estrangeira que está descoberto. Gregas (para opções): delta, gamma, vega, theta. Para o book linear de tesouraria, DV01 e exposição cambial são as sensibilidades centrais.
O DV01 do book é a soma dos DV01 de cada posição (com sinal): comprado e vendido se compensam. Um book pode ter R$ 200 mi de posições e DV01 quase zero se estiver casado.
O VaR responde: "qual a perda máxima esperada, num horizonte, com um nível de confiança?" VaR paramétrico (variância-covariância):
com para 95% e para 99%. Para um book de juros, é prático usar a sensibilidade: .
Escala temporal (regra da raiz do tempo): .
VaR de carteira, para dois fatores com VaR individuais e e correlação :
Se , o VaR da carteira é menor que a soma — é o benefício de diversificação.
Limitações do VaR. O VaR não diz quanto se perde quando o limite é estourado (a "cauda") — por isso existe o Expected Shortfall (ES / CVaR): a perda média condicional a estar além do VaR. O VaR paramétrico assume distribuição normal e volatilidade estável — subestima eventos extremos. O VaR é um número de condições normais; não substitui o stress test.
O stress test aplica choques grandes e não-estatísticos (cenários, não probabilidades): "e se a curva abrir 200 bps?", "e se o dólar saltar 15%?". Usa as sensibilidades: para juros. Captura o que o VaR não vê: a cauda.
Um hedge raramente é perfeito. Basis risk é o risco residual quando o instrumento de hedge não é idêntico ao item protegido: hedgear uma debênture CDI+ vendendo DI1 deixa o risco de spread de crédito; hedgear NTN-B com DAP de prazo diferente deixa o risco da diferença de duration. A lição de mesa: medir o risco bruto, o coberto pelo hedge e o residual — e decidir se o residual está dentro do apetite de risco.
ℹ️ Exemplo de mesa
O book de juros tem DV01 de R$ 30 mil. A volatilidade diária da taxa de 1 ano é cerca de 10 bps. VaR 1 dia 99% ≈ 30.000 × 10 × 2,326 = R$ 697.800. A área de risco impõe limite de VaR de R$ 600 mil. O operador está acima do limite e precisa reduzir posição. Paralelamente, o stress de "+250 bps na curva" projeta perda de 30.000 × 250 = R$ 7,5 mi — número que vai ao comitê de risco.